Vida a dois

#4

Não é o dinheiro que define uma relação, mas a verdade é que tem muita influência na mesma. Quando me mudei para aqui não foi fácil arranjar logo trabalho. Durante uns três meses foi ele a suportar as despesas quase todas: casa e alimentação. Eu tinha o meu mealheiro e conseguia oferecer algumas refeições fora de casa, idas ao cinema e pagava o combustível do meu carro. E ainda o tive de levar ao mecânico durante esse período, não foi barato!

Nas minhas expectativas pensava arranjar trabalho logo no meu primeiro mês aqui. Já vinha com entrevistas marcadas e numa fase inicial foram muitas as entrevistas de trabalho. Mas nem todas compensavam: umas porque eram demasiado longe e tinha de pagar portagens, outras porque tinha de trabalhar demasiadas horas e receber demasiado pouco, outras porque eram longe e apenas em part-time… Apesar de ser licenciada em Letras e devido a uma fase de estagnação de trabalho na profissão que tinha, há dois anos decidi tirar o curso de Estética e Cosmetologia e era nessa área que trabalhava. Mas aqui no norte, sobretudo em meios pequenos, é algo que já está muito batido em termos de esteticistas. E a verdade é que em Lisboa há mais afluência de clientes e ganha-se bastante melhor.

Mas consegui, finalmente, ter trabalho. Com contrato e algumas regalias. Uma delas é trabalhar a cinco minutos de casa. Não é em nenhuma das áreas nas quais estudei, mas não faz mal. Faz parte da nossa aprendizagem de vida a capacidade de nos adaptarmos às mudanças. Estar sempre à procura do sucesso e daquilo que nos preenche, mas sem esquecermos de que ter sucesso também é ter uma mente aberta a novas perspectivas de crescimento, seja pessoal, seja profissional. É isso que nos fortalece perante os obstáculos e não nos deixa perder a capacidade de acreditar. ✡

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Família

#3

Para a semana a minha afilhada faz 8 anos e lá vou eu a Lisboa matar as saudades da família. Mas se a miúda já tem 8 anos isso também significa que já não liga a certos brinquedos. Agora o que ela gosta que aqui a prima lhe ofereça é vernizes – porque adora pintar as unhas – batons (só lhe dou daqueles de cieiro com sabores), pulseiras e malas para quando vai passear. É uma vaidosa ☺

Como o meu tio é pai solteiro, eu e a minha mãe acabamos por ser as figuras maternas de referência na vida dela. Por isso quando a minha mãe me disse que ela devia ter um tablet como prenda de aniversário eu andei algum tempo a pensar bem no assunto.

Na verdade já o meu tio me tinha falado nisto o ano passado mas continuava a achar que ela era demasiado nova para ter um tablet. E ainda acho! Mas a verdade é que as amigas do ATL já têm, as colegas de escola também, as vizinhas com quem brinca, as primas pequenas… Parece que toda a criança que a rodeia tem tablet e isso acaba por a influenciar para as tecnologias. Consola-me, no entanto, saber que como o meu tio não tem um telemóvel com jogos ou internet, ela ainda é daquelas crianças que come à mesa sem precisar de distrações, que conversa com os adultos, que questiona e se interessa. É essa curiosidade pelo que a rodeia que eu gosto nela e quero que ela preserve.

Mas acabei por lhe comprar um tablet. Dos mais simples e baratos (39,90€ na Staples), cor-de-rosa e branco. Já lhe instalei os jogos adequados à idade dela e alguns mais didácticos. Coloquei algumas músicas que ela gosta e, como o meu tio não tem internet em casa, não me preocupo que ela possa ver coisas que não deva porque sei que o tablet é só para usar em casa.

Bem sei que não podemos colocar as nossas crianças numa redoma e protegê-las de tudo o que a vida implica. Cabe-nos educá-las e prepará-las o melhor possível para todos os desafios que terão na sua caminhada. Mas também sei que há um tempo para tudo, que há o momento adequado para novas aprendizagens e conhecimentos – não quando nós, os adultos, queremos mas sim quando as circunstâncias o ditam. E como não podemos travar isso, o melhor a fazer é estar por perto e ser o apoio delas quando precisarem. Também nós precisamos acompanhar a evolução dos tempos e crescer junto das nossas crianças.

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Desabafos, Família

#2

Por estes dias tenho tido mais saudades do que as habituais da minha família. Sei que é do TPM, mas saudades são sempre saudades…

Foi nesta passagem de ano para 2016 que vim viver para o Norte. Tudo para estarmos juntos no dia-a-dia e deixarmos de namorar à distância. Era o certo, o que fazia sentido, era o próximo passo a tomar, sem medos, porque o medo cega-nos e não nos deixa ver a luz. Mudei de casa, de hábitos e rotinas, passei de uma cidade com tudo para uma terra com pouca coisa – mas perto de tudo. Mudei de trabalho e ganhei uma nova família.

Mas a minha faz-me falta, por muito irritantes ou dramáticos que possam parecer. São os meus, estão cá para mim e sempre me deixaram voar. Sou uma privilegiada por isso, tenho uma família que dá asas aos seus para irem à descoberta, que nos acompanha mesmo que à distância, que se preocupa e se interessa, que sabe que a felicidade é condição essencial para estarmos vivos.

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Mel

Mel

A Mel chegou cá a casa há pouco mais de uma semana. Já andávamos a preparar a sua chegada há algum tempo: comprámos a cama para ela dormir, a comida adequada a gatos bebés, a caixa de areia toda xpto – daquelas com tampa – e alguns brinquedos. Mas vieram as férias e como já tínhamos o hotel marcado não fazia sentido ir buscá-la para depois ficar cá em casa sozinha. Por isso aproveitou mais uns dias na brincadeira com os manos até chegarmos de viagem.

Nunca gostei de gatos, sabe Deus o quanto me enervavam. Aquele modo sorrateiro de se aproximarem e os arranhões que nos deixam eram coisa para nunca ter vivido com gatos. Tive o meu cão durante 11 anos e depois fiz uma pausa nos animais.

Mas acabei por vir viver para uma terra no Norte onde todas as pessoas parecem ter gatos. Lá vejo um cão de vez em quando e todos os dias levo com o bom humor do Scott, o labrador aqui da frente, mas esta terra pertence aos gatos. Por isso quando a minha sogra nos disse que a gata estava prenha, o meu homem lá me convenceu a ficarmos com um dos bebés.

E foi assim que escolhemos a Mel. Vá, verdade seja dita pensámos primeiro no nome e só depois na gatinha a quem o nome fizesse sentido. Mas a Mel deu logo nas vistas pelo seu lado tímido de cada vez que a íamos ver, pelos seus olhinhos verdes e por ser a única que miava de cada vez que pegávamos num gatinho. Era única e especial, pequenina e carente, e eu sabia que tinha de ser ela a escolhida.

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Sobre o blog

#1

Foi há 5 anos que tive o meu primeiro blog, aqui mesmo no WordPress. Ia estar algum tempo fora do país e a necessidade de escrever sobre essa experiência falou mais alto. Uma forma de guardar tudo o que de diferente ia vivendo e de não perder a minha essência, a pessoa que era naquela altura – isso era algo muito importante para mim, não me esquecer de ser eu mesma.

Quando regressei não fazia sentido manter o blog, por isso foi eliminado e nunca mais escrevi. Até hoje. Numa fase diferente da minha vida, 5 anos depois, quero voltar à escrita, mas num registo mais leve, mais lifestyle. Porque a vida tem sido boa para mim, sendo que eu estou sempre a fazer a minha parte, hoje vivo mais suavemente, sem a pressa de ser ou de estar. ❤

Textos pequenos, escritos pelo telemóvel, quando houver vontade e gosto. Sobre o que me apetecer, com ou sem fotografias, será esse o registo desta página. Sem obrigações de nada, sem pressões, apenas a leveza de ser e escrever a vida.

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