Desabafos, Sobre mim

#21

Sou uma pessoa que convive muito bem com o silêncio, o estar sozinha, o sair e fazer programas só. Gosto da minha própria companhia, da minha forma de fazer as coisas sem ter alguém do lado. Gosto dos meus pensamentos e das minhas conversas mentais comigo mesma. Aprendi que isso pode ser algo saudável e, sobretudo, aprendi a gostar mais de mim e a confiar mais em mim e na minha intuição.

No entanto, reparo que é algo que faz comichão a algumas pessoas. Como se estarmos sozinhos fosse sinal de sermos uns coitadinhos ou anti-sociais ou uns bichos do mato. Desde adolescente que só saio com outras pessoas quando realmente tenho vontade de o fazer. Desde essa época que também dou valor ao meu espaço e ao meu tempo comigo mesma. E não é por isso que não tenho amigos ou que deixei de ter namorados. Mesmo agora, com o homem a trabalhar aos fins de semana, não me sinto na obrigação de ter que ficar em casa até ele chegar. 

Já fiz tantas coisas sozinha e orgulho-me de mim por isso. Ir ao cinema sozinha, viajar de avião várias vezes sozinha, fazer pequenas viagens sozinha, almoçar ou jantar fora sozinha, viver sozinha… E isto são pequenos exemplos de como é possível viver a vida à nossa maneira sem isso significar algo de negativo. Aliás, se há coisa que eu sempre digo é que antes de estarmos com os outros, antes de partilharmos a nossa vida e o nosso espaço com um outro alguém, temos que nos conhecer muito bem, gostar de nós e aprender a sermos o nosso melhor amigo. 

A solidão pode e deve ser uma boa companhia. É ela que nos torna mais fortes, mais autónomos, independentes e racionais. Faz-nos valorizar o que é verdadeiro e importante, torna-nos desenrascados e obriga-nos a levantar. Faz-nos voar mais alto, porque nos faz querer mais da vida. E essa é a principal razão de eu sentir que gosto muito da minha vida. Porque não ando aqui para agradar aos outros e porque todas as escolhas que fiz sempre foram com base em ser feliz. E isso ninguém me pode tirar.

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Desabafos

#20

Ainda bem que eu não ganho dinheiro com este blogue nem dependo dele para isso, senão estava na miséria com as minhas ausências 😂😂😂

Esta semana percebi o que realmente significa resiliência. Foram tantas merdinhas pequenas a acontecer que não sei como não me passei da marmita 😭

Não sei se é da idade, da maturidade ou, simplesmente, se estou num processo de mudança inconsciente. Sei sim que me sinto mais calma e tranquila, mesmo perante alguns obstáculos que estragam os dias. Estou forte, decidida e não me deixo ir abaixo. Por vezes os abalos são inevitáveis, mas não posso deixar que isso defina a maneira como me sinto ou como quero viver a vida.

Comecei o ano com a alteração da minha morada, de Lisboa para esta terrinha. Tratar do cartão do cidadão foi rápido, a inscrição no centro de saúde foi na hora e só falta avisar o banco e tratar do livrete do carro – aqui sim, vou ter que pagar e bem 😢 Agora é aguardar pela consulta na nova médica e pedir para fazer os exames necessários para termos o OK de fazermos bebés 😂 Não é para já que queremos engravidar, primeiro há que gozar bem estas férias de verão, mas depois disso já não há desculpa.

Talvez esta nossa decisão nos esteja a preparar aos dois para essa mudança que há-de vir. Noto diferenças de comportamento entre ambos, sobretudo a paciência e a ausência de irritações por disparates do dia-a-dia. Pequenas coisas que o cansaço dos trabalhos e a rotina semanal nos faziam disparatar um com o outro, são agora ignoradas em prol de uma relação mais cúmplice e segura de si.

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Sobre mim

#19

Começar um novo ano sempre significou, para mim, alterar alguns maus hábitos do ano anterior. Limpar a alma e a casa, de desarrumações desnecessárias, lixo material acumulado e pessoas indesejáveis. Mas este ano não tomei nenhuma resolução de ano novo, não comi as doze passas nem pedi os desejos da praxe. Este ano, agradeci. Agradeci a estabilidade emocional que veio com 2016, agradeci a estabilidade financeira que nos permitiu abrir a nossa conta conjunta para um dia – vá, daqui a uns 4 anos – construirmos a nossa casa. Agradeci a presença da Mel na nossa vida a dois – porque não sendo uma criança, é como se fosse. Porque veio criar uma união que nos permitiu começar a pensar em filhos em comum. Lá para meio do ano vamos começar a desbravar essa tentativa. Agradeci a presença de algumas pessoas que continuam na minha vida apesar da distância física e, ainda mais, o facto de 2016 me ter trazido novas amizades. Agradeci a saúde.

Não há desejos para este novo ano. Há sim a continuação desta estabilidade, o crescimento do Amor e a vontade de fazer mais e melhor. Ser feliz em mim e por mim.

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