Lisboa, Sobre mim, Vida a dois

#40

Há muito tempo que não escrevia. Não por falta de oportunidade e também não foi por não ter o que contar. Acho que, simplesmente, me deu uma certa preguiça de pensar, de passar para as palavras as mudanças de humor, as diferenças de opiniões, os obstáculos, as incertezas. Mas agora que tudo está límpido e preciso, agora que estou ainda mais confiante das certezas das minhas decisões, agora sim, sinto-me segura de mim mesma.

Talvez o acontecimento mais marcante destes meses tenha sido a decisão de irmos viver para Lisboa depois do Natal. E é um alívio tão grande este que sinto, o voltar para a minha cidade, para o movimento, o estar novamente rodeada das minhas pessoas. Não foi fácil sentir que tinha que fazer o homem tomar uma decisão, mas seria impossível continuar uma vida a dois neste lugar tão pequenino, tão desprovido de oportunidades de vida. Detesto viver numa aldeia, não gosto de aqui estar e estou desejosa que chegue o fim do ano. Já não tenho estofo para aguentar as pessoas com quem trabalho – aquelas mentalidades tão pequeninas, a maneira de ser tão mesquinha, o diz que disse sobre a vida alheia…não sei onde vou buscar tanta resiliência para não mandar aquela gente à merda! Depois lembro-me que a maioria são pessoas que nunca saíram daqui, que julgam que Lisboa é o estrangeiro.

E talvez tenha sido esta a mudança de vida que mais impacto causou em mim: não foi ter vivido a mais de 7000 km de Portugal, não foi ter saído de casa da minha mãe assim que terminei a licenciatura, não foi ter mudado de residência várias vezes, não foi ter tomado a decisão de mudar de profissão… Nada disso se compara a estes dois anos em que me senti uma estranha no meu próprio país. Em que percebi que ainda temos mentalidades tão pequeninas num país que, por si só, já é pequenino. Não sei se é das pessoas do Norte, não sei se é das aldeias, não sei se fui eu que tive a pouca sorte de me calhar esta terra na rifa. Mas nada se compara à minha Lisboa, às praias ali tão perto, aos acessos fáceis e rápidos, à meteorologia, às ofertas de trabalho, à qualidade de vida e até à dinâmica das pessoas. Aspectos que só agora me apercebi da falta que me fizeram e da sorte que eu tenho de ter crescido naquele meio.

Resta-me aguardar que o 26 de Dezembro chegue para nos mudarmos. A casa alugada precisa de ser pintada e mobilada ao nosso gosto, o homem precisa de iniciar o curso para começar a trabalhar na vaga que vai preencher e eu preciso de começar a procurar um emprego a fazer aquilo que eu gosto. Para já tenho praticado para não perder a destreza e me ir recordando das técnicas. Ainda vou ter muito para escrever sobre esta mudança profissional, mas a seu tempo que é para não deixar este cantinho ao abandono 😅

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2 comentários sobre “#40

  1. Já eu daria tudo para não trabalhar em Lisboa. Digo isto porque morando na margem sul perdemos muito tempo em viagem. Mas é sempre muito fixe quando a vida muda para o que queremos. Que tudo corra bem. 😊

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    • Eu também gosto muito da margem sul, até acho que a vida desse lado é mais barata. E a Fonte da Telha é a minha praia preferida 😁 Mas como é do outro lado que tenho a maioria da família, dos amigos e foi onde cresci, faz mais sentido voltar para lá 😊

      Curtido por 1 pessoa

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