Desabafos

#39

Ainda tenho mais uma semana de férias, mas o homem já começou hoje a trabalhar. Regressámos à aldeia, mas estou constantemente a pensar na falta que Lisboa me faz: o movimento, as pessoas, as praias, a rapidez com que chegamos aos sítios, o ambiente, a cidade que não dorme e tem sempre algo para fazermos…

Foi por isso que gostei tanto de Sevilha: adorei a cultura, a arquitectura, os restaurantes, as pessoas, o ambiente descontraído, percorrer as ruas, andar nos transportes públicos, conhecer a forma como se vive e as casas tão mimosas com aqueles pátios por dentro. Senti que é uma cidade onde podia perfeitamente viver e trabalhar, sem quaisquer dificuldades de integração.

É nestas alturas que gostaria de ter feito as coisas de forma diferente quando andava na faculdade. Tirei uma licenciatura que me permite dar aulas fora de Portugal, aliás, era esse o meu objectivo quando iniciei o curso: ir viver para outro país. Mas logo no primeiro ano conheci uma pessoa com quem estive durante quase 7 anos e que nunca teve a ambição de emigrar. Como sempre tive trabalho na minha área, coloquei essa questão de lado. E agora estou a viver há quase dois anos com uma pessoa que também não tem essa ambição e a quem está a ser difícil mostrar as vantagens que teríamos se vivêssemos numa cidade. É assim tão difícil conseguir ter tudo aquilo a que me proponho? A vida não me teria sido mais facilitada se eu fosse uma pessoa que não vive em função do amor?

Não me posso pôr a pensar demasiado nisto nem a culpar ninguém, porque foram decisões que tomei sozinha e de livre vontade. Mas se eu tivesse uma forma de ser diferente, será que não me sentiria mais preenchida?

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Férias

#38

Há uma semana que estou de férias e há cinco dias que estamos em Sevilha. Bom demais, não dá vontade nenhuma de voltar para casa. Depois penso que o lugar onde moramos não me faz sentir em casa e que a vontade de viver de novo na minha Lisboa aumenta quando passo férias numa cidade como esta. Basicamente, não gosto da vida no campo e quero voltar para a cidade. A ver vamos, sobretudo porque o homem gosta muito de Lisboa e já diz que Lisboa é mais bonita e melhor que o Porto – 😱 juro que nunca pensei ouvi-lo dizer tal coisa!

Mas neste momento as férias são exactamente para não pensar e apenas desfrutar da gastronomia, dos passeios, da piscina e deste calor insuportável 😂😂😂

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Opiniões

#37

Nada tenho contra as redes sociais, muito pelo contrário. Aproximam-nos, permitem-nos até conhecer pessoas novas. Mantêm-nos actualizados do que se passa no resto do mundo e, se usadas de forma correcta, podem ser fonte de conhecimento e aprendizagem.

Mas uma das coisas que mais crítico nas pessoas que usam redes sociais como o Facebook e o Instagram é a forma despreendida e banal com que fazem longas declarações de amor à cara metade. Longos e ridículos textos de agradecimento a cada aniversário, até de casamento ou dos filhos. Textos porque o final do ano lectivo terminou – quando a criança só tem pouco mais de um ano de idade. Textos porque o final do ano lectivo terminou – que se repetem ano após ano, sejam alunos ou professores. Ou porque se mudou de casa. Ou porque se está grávida – e aqui são palavras de fazer chorar as pedras da calçada, acompanhadas por actualizações mensais.

Enfim, seja o que for é motivo para encontrarmos autênticos Fernandos Pessoas por esse Facebook/Instagram afora. E eu confesso que não posso compreender esta necessidade de algo que, para mim, parece uma chamada de atenção. Esta busca por likes, pelos comentários acompanhados de corações infinitos, este show off ridículo de não se preservar projectos de vida. Pergunto-me para onde vão estas histórias de vida, questiono se na intimidade também há todo este sentimentalismo exagerado, se as palavras são ditas e sentidas, se há os abraços, os beijos e o carinho.

Já não se fazem relações como antigamente, já não se vive para ser feliz, mas mais para parecer. Já não existem as frases ditas e sentidas, as mensagens de amor que nem às paredes confessamos e os olhos já não são o espelho da alma. A vida tornou-se um espectáculo onde vamos ao cinema sem pagarmos bilhete.

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Desabafos

#36

Estou urgentemente a precisar de férias, mas ainda me restam mais duas semanas de trabalho intenso pela frente. Fisicamente as minhas costas já não aguentam tantas horas em pé e isso significa ter que marcar – agora só segunda-feira – uma consulta de fisioterapia, perceber o que se passa e o porquê destas dores. Tenho tentado aliviar com massagens localizadas, mas as contraturas só vão desaparecer quando estiver sem fazer esforços físicos e movimentos repetidos. Sessões de banhos quentes, botijas de água aquecidas e Voltaren têm sido recorrentes esta semana. Sinto-me uma daquelas velhotas cheias de dores e marrecas, portanto vai ser bonito quando lá chegar 😂

Mas duas semanas passam num instante e os fins-de-semana ajudam a descomprimir, até porque estas dores não me impedem de fazer a minha vida normalmente. Agora os treinos no ginásio estão a ser substituídos por hidroginástica e natação e acredito que a fisioterapia me vá ajudar – é torcer para conseguir uma primeira consulta nos próximos dias.

Felizmente nada disto me impede de sonhar com as férias este ano: uma semana em Lisboa a matar saudades dos meus e a fazer praia e uma semana em Sevilha num hotel fantástico, a passear e a namorar muito. Também mereço, portanto haja saudinha para chegar lá em bom estado 🙏 😂

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Sobre o blog

#35

Este blog tornou-se uma espécie de diário pessoal. Ainda tentei introduzir outros tópicos, escrever sobre temas diferentes, mas chego à conclusão de que este não é o espaço adequado. E isso não tem mal nenhum, ainda que por vezes fique reticente em escrever aqui determinados pensamentos – mesmo as pessoas que me lêem não me conhecendo pessoalmente. Mas é em textos como o anterior, em que me apercebo que andam por aí pessoas que também passam ou passaram por situações semelhantes às minhas, que sinto que escrever desta forma tão intimista me alivia e me traz a sensação de que não estou só nas minhas batalhas.

Se também podia falar com as minhas pessoas ao invés de escrever num blog? Claro que sim e, geralmente, faço-o. Mas – e porque há sempre um mas – quando falamos tão abertamente corremos o risco de julgamentos, preconceitos, más interpretações e juízos de valor. E é por isso que, para mim, faz todo o sentido manter este espaço só meu – ainda que seja lido por terceiros. Porque lá fora, onde tudo acontece, é mais seguro colocarmos uma certa dose de camuflagem e omitirmos alguns passos que damos. Não se trata de cinismo ou hipocrisia, mas de protegermos a nossa sanidade mental e de cuidarmos daquilo que é efectivamente nosso: a vida.

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Amizades, Desabafos, Família, Vida a dois

#34

Não sinto qualquer obrigação de me dar com a família do homem. Quando tomei a decisão de me mudar para a terra dele foi, precisamente, para partilhar a minha vida com ele, para que juntos tivéssemos a nossa própria família. Claro que quando vejo alguém da família dele, cumprimento e sou educada. Claro que há familiares dele com quem tenho mais afinidade. Mas daí a ter de estar presente em todos os convívios que se lembram de organizar, vai um grande passo. Daí a ter de ir no dia a dia a casa da mãe dele, vai um grande passo. Daí a ter de gostar que ela lhe ligue todos os dias ou que ele ande lá sempre…vai um passo gigantesco! 

Há muitas coisas que não gosto: os mexericos, o diz que disse, a mãe que lhe dá mimo a mais ou lhe liga só porque sim, as falsidades, o falar mal pelas costas, o vivermos a menos de 5 minutos da mãe e dos irmãos dele… Não, não gosto. E é por estas e outras que estou desejosa para conseguirmos comprar uma casa e sairmos desta zona. Porque se há aspecto da minha vida que valorizo muito é a minha liberdade e a minha independência. 

Se dou valor à família? Claro que dou, daí não querer esperar muito tempo para engravidar depois de estarmos instalados na nossa casa. Porque quero que tenhamos as nossas tradições e os nossos hábitos. Os nossos amigos e os nossos convívios. Mas, para mim, a minha família são as pessoas que eu escolho para fazerem parte dela, são as pessoas que eu quero que frequentem a minha casa e façam parte do meu dia a dia. Também eu tenho uma família grande e não convívio com todos, simplesmente porque há pessoas pelas quais não sinto afinidade. 

Provavelmente quem ler este texto irá achar que estou a ser demasiado bruta para com estas pessoas que nunca me fizeram mal nenhum. A verdade é que, por vezes, também eu me questiono desta minha maneira de ser. Mas depois chego à conclusão que prefiro ter poucas pessoas na minha vida, mas saber que as que tenho são em qualidade suficiente para me sentir preenchida.

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