Amizades, Desabafos, Família, Vida a dois

#34

Não sinto qualquer obrigação de me dar com a família do homem. Quando tomei a decisão de me mudar para a terra dele foi, precisamente, para partilhar a minha vida com ele, para que juntos tivéssemos a nossa própria família. Claro que quando vejo alguém da família dele, cumprimento e sou educada. Claro que há familiares dele com quem tenho mais afinidade. Mas daí a ter de estar presente em todos os convívios que se lembram de organizar, vai um grande passo. Daí a ter de ir no dia a dia a casa da mãe dele, vai um grande passo. Daí a ter de gostar que ela lhe ligue todos os dias ou que ele ande lá sempre…vai um passo gigantesco! 

Há muitas coisas que não gosto: os mexericos, o diz que disse, a mãe que lhe dá mimo a mais ou lhe liga só porque sim, as falsidades, o falar mal pelas costas, o vivermos a menos de 5 minutos da mãe e dos irmãos dele… Não, não gosto. E é por estas e outras que estou desejosa para conseguirmos comprar uma casa e sairmos desta zona. Porque se há aspecto da minha vida que valorizo muito é a minha liberdade e a minha independência. 

Se dou valor à família? Claro que dou, daí não querer esperar muito tempo para engravidar depois de estarmos instalados na nossa casa. Porque quero que tenhamos as nossas tradições e os nossos hábitos. Os nossos amigos e os nossos convívios. Mas, para mim, a minha família são as pessoas que eu escolho para fazerem parte dela, são as pessoas que eu quero que frequentem a minha casa e façam parte do meu dia a dia. Também eu tenho uma família grande e não convívio com todos, simplesmente porque há pessoas pelas quais não sinto afinidade. 

Provavelmente quem ler este texto irá achar que estou a ser demasiado bruta para com estas pessoas que nunca me fizeram mal nenhum. A verdade é que, por vezes, também eu me questiono desta minha maneira de ser. Mas depois chego à conclusão que prefiro ter poucas pessoas na minha vida, mas saber que as que tenho são em qualidade suficiente para me sentir preenchida.

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Família, Sobre mim

#18

Estas duas semanas têm sido tão preenchidas que a oportunidade para escrever não tem aparecido. Fomos passar o Natal a Lisboa e soube-me pela vida! Matei as saudades da minha afilhada e de algumas pessoas da minha família que eu já não via há demasiado tempo. Conheci o Liam, o bebé que o meu primo e o marido – sim, são gays, casados e vivem na Bélgica, um país onde são apenas mais um casal – adoptaram, apresentei finalmente o meu padrinho e a mulher ao meu homem e ainda deu para irmos ao cinema no dia 25 à noite e dar um passeio pela Wonderland no dia 26.

O homem nunca tinha andado de avião e adorou a coisa 😁 Foram só 45 minutos, o que realmente compensa as três horas e meio que levamos de carro de cada vez que vamos a Lisboa; fora as portagens e o gasóleo. É por isso que já andamos a ver os preços das passagens para a Páscoa. Mas como nem tudo é bonito, o avião nunca partiu à hora prevista. Longe disso 😭

Agora é usar estes dias para curtir o fim do ano e aproveitar os saldos para procurar um outfit para o casamento que não tarda aí 😁

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Desabafos, Família

#15

Quando os meus pais se divorciaram já eu era adulta e andava na faculdade. Fiquei satisfeita porque dão-se muito melhor separados do que juntos e já o deviam ter feito muitos anos antes, mas eu sei que as circunstâncias da vida também tiveram a sua influência. 

O meu pai conheceu outra pessoa, casou novamente, voltou a ser pai e, por motivos profissionais, decidiu emigrar, viver no país da minha madrasta. Fico feliz por ele porque sei que era um sonho sair daqui, ir para um ambiente de vida e de cultura diferente, onde o ritmo de vida, o clima e a língua são diferentes. Já lá estive algumas vezes e é um país perfeito para férias, mas é demasiado longe para mim, para fazer vida lá.

Isto tudo para dizer que apesar de respeitar o seu sonho, ficou uma dor cá dentro de ele ter ido embora. Porque esta semana o meu irmão fez 10 anos e eu não estive lá para os nossos abraços apertados. Porque não estou a acompanhar o crescimento dele, não estou lá nos momentos menos bons, não o ajudo nos exames, não sigo os torneios de natação… Eu faço-me de indiferente e guardo isto para mim, mas é muito injusto ele ter ido embora e ter levado alguém tão importante para mim, aquela pessoa para quem eu devia estar sempre presente. A distância impede o contacto físico, a diferença horária impede que se fale com regularidade. Por outro lado, ele também devia estar aqui para mim, não é por ser adulta que já não preciso dele.

São sentimentos muito contraditórios porque, apesar de tudo, sou parecida com ele. Também eu sigo os meus sonhos e vou para onde tenho que ir para ser mais feliz. E isso assusta porque não quero esquecer os que gostam de mim, não quero estar longe de quem se preocupa comigo, não quero desiludir nem magoar. Nestas alturas o amor que temos uns pelos outros devia ser suficiente. Mas a verdade é que não chega.

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Família, Lisboa

#5

Já esperava por este fim-de-semana há algum tempo. Fomos a Lisboa e eu matei as saudades dos meus 😀 O homem trabalhou de sexta para sábado, por isso às 10h da manhã lá estava eu à espera dele para seguirmos viagem. Apesar de gostar muito da zona onde vivo, até entrarmos na A1 ainda são uns 50km. Ninguém merece!! Temos de ir até ao Porto, pagar portagem e só depois é que apanhamos a A1. Irrita-me porque estava habituada a viver numa zona central em Lisboa e era uma rapidinha para chegar onde queria.

Adiante… Quem levou o carro para baixo fui eu e com a ansiedade o pé ia pesado 😁 Mas ainda deu para estarmos às quatro da tarde no Largo do Carmo, sentar numa esplanada e estar com um grupo de amigos. Verdade seja dita, a intenção era provarmos um gelado na Magnum Store, mas a fila já ia longa rua abaixo e desistimos.

Ontem a afilhada fez anos e lá lhe dei o tablet. De repente sou “a prima mais linda e maravilhosa, a melhor do mundo”. 🙂 Resultado: passou o almoço a mandar toda a gente despachar-se porque queria ir jogar no tablet. Agora o meu tio que a ature 😂

Com esta viagem relâmpago cheguei à conclusão que tenho de programar as idas a Lisboa com alguma antecedência para aproveitar as promoções da TAP. Gasóleo e portagens fica tudo demasiado caro e torna-se muito cansativo ir de carro. Como agora só lá vamos no natal, já comprámos hoje os bilhetes de avião por pouco mais de 50€ para os dois. A viagem só dura 1h e eu aproveito para ver se o homem perde o medo 😁

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Família

#3

Para a semana a minha afilhada faz 8 anos e lá vou eu a Lisboa matar as saudades da família. Mas se a miúda já tem 8 anos isso também significa que já não liga a certos brinquedos. Agora o que ela gosta que aqui a prima lhe ofereça é vernizes – porque adora pintar as unhas – batons (só lhe dou daqueles de cieiro com sabores), pulseiras e malas para quando vai passear. É uma vaidosa ☺

Como o meu tio é pai solteiro, eu e a minha mãe acabamos por ser as figuras maternas de referência na vida dela. Por isso quando a minha mãe me disse que ela devia ter um tablet como prenda de aniversário eu andei algum tempo a pensar bem no assunto.

Na verdade já o meu tio me tinha falado nisto o ano passado mas continuava a achar que ela era demasiado nova para ter um tablet. E ainda acho! Mas a verdade é que as amigas do ATL já têm, as colegas de escola também, as vizinhas com quem brinca, as primas pequenas… Parece que toda a criança que a rodeia tem tablet e isso acaba por a influenciar para as tecnologias. Consola-me, no entanto, saber que como o meu tio não tem um telemóvel com jogos ou internet, ela ainda é daquelas crianças que come à mesa sem precisar de distrações, que conversa com os adultos, que questiona e se interessa. É essa curiosidade pelo que a rodeia que eu gosto nela e quero que ela preserve.

Mas acabei por lhe comprar um tablet. Dos mais simples e baratos (39,90€ na Staples), cor-de-rosa e branco. Já lhe instalei os jogos adequados à idade dela e alguns mais didácticos. Coloquei algumas músicas que ela gosta e, como o meu tio não tem internet em casa, não me preocupo que ela possa ver coisas que não deva porque sei que o tablet é só para usar em casa.

Bem sei que não podemos colocar as nossas crianças numa redoma e protegê-las de tudo o que a vida implica. Cabe-nos educá-las e prepará-las o melhor possível para todos os desafios que terão na sua caminhada. Mas também sei que há um tempo para tudo, que há o momento adequado para novas aprendizagens e conhecimentos – não quando nós, os adultos, queremos mas sim quando as circunstâncias o ditam. E como não podemos travar isso, o melhor a fazer é estar por perto e ser o apoio delas quando precisarem. Também nós precisamos acompanhar a evolução dos tempos e crescer junto das nossas crianças.

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Desabafos, Família

#2

Por estes dias tenho tido mais saudades do que as habituais da minha família. Sei que é do TPM, mas saudades são sempre saudades…

Foi nesta passagem de ano para 2016 que vim viver para o Norte. Tudo para estarmos juntos no dia-a-dia e deixarmos de namorar à distância. Era o certo, o que fazia sentido, era o próximo passo a tomar, sem medos, porque o medo cega-nos e não nos deixa ver a luz. Mudei de casa, de hábitos e rotinas, passei de uma cidade com tudo para uma terra com pouca coisa – mas perto de tudo. Mudei de trabalho e ganhei uma nova família.

Mas a minha faz-me falta, por muito irritantes ou dramáticos que possam parecer. São os meus, estão cá para mim e sempre me deixaram voar. Sou uma privilegiada por isso, tenho uma família que dá asas aos seus para irem à descoberta, que nos acompanha mesmo que à distância, que se preocupa e se interessa, que sabe que a felicidade é condição essencial para estarmos vivos.

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