Desabafos, Sobre mim

#31

Ontem festejei os 34 e isso fez-me chegar à noite em modo de reflexão. Foi um dia feliz, a passear com o meu homem e com um casal amigo. Visitei lugares que não conhecia, actualizei a minha cultura geral e voltei a andar de elétrico – desde criança que não o fazia. Ofereci-me uma pulseira com uma mandala, estreei roupa nova e tive direito a um bolinho de aniversário. Foram poucas, mas as minhas pessoas deram-me os parabéns e isso chega. Recebi alguns presentes e, este ano, gostei de todos. Senti a falta de algumas pessoas – filha da puta da distância – mas tentei que isso não afectasse o meu dia. Tomei algumas decisões e ainda estou a tentar aceitar que há coisas que, simplesmente, não posso mudar. Tenho que me adaptar. Foi um dia feliz e para o ano há mais – porque eu ainda tenho muito para viver e fazer por mim.

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Amizades, Sobre mim

#30

Ontem fiz uma limpeza no meu Facebook e, pelo menos, umas 50 pessoas foram à vida. Umas porque são pessoas que só conheço de vista, outras porque não vejo há anos e sei que não voltarei a ver, outras porque eram amigos de amigos e ainda há aquelas com quem já não me identificava minimamente e não fazia sentido tê-las ali.

Quantos mais degraus subo na minha Caminhada, mais entendo que para ser feliz e realizada só necessito dos bons do meu lado. Daquelas pessoas em quem confio, com quem partilho e sou sempre eu mesma. Não preciso que sejam muitos – até porque nunca gostei de multidões – mas sempre que sou eu por inteiro, sei que essa pessoa pode permanecer na minha vida.

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Sobre mim

#29

Dia 13 de Maio faço anos. 34 e estão quase a chegar. Sempre gostei de fazer anos, sempre gostei de celebrar mais um ano de vida e desejo, sinceramente, que isso nunca mude. Não me assusta ficar mais velha, muito pelo contrário, significa que estou um passo mais perto de alcançar os meus objectivos de vida.

Recordo-me que em criança queria ser adulta, queria a liberdade de poder ser eu mesma, de ir onde tivesse vontade, de poder fazer as minhas próprias escolhas. Fui educada com demasiadas regras por parte do meu pai. Ele achava que isso era impôr o respeito, mas só me fazia ter medo dele e das reacções dele. Não foi um bom pai, eu dizia que ele era mau, crescia a querer sair da beira dele, a querer ser adulta para lhe dizer tudo o que pensava dele e mostrar-lhe que já não tinha mais medo.

Quando os meus pais se divorciaram, tinha eu 20 anos, foi um alívio. E eu deixei de ter medo e deixei de me preocupar. Ganhei a minha voz. E continuei a crescer, mas agora mais forte e decidida, focada nos meus projectos e sem perder a capacidade de sonhar.

Durante muitos anos sempre disse que não queria ter filhos porque não queria que passassem pelo que eu passei. Não queria que tivessem as minhas inseguranças, as minhas dores. Mas hoje sei que posso perfeitamente educar uma criança e fazer dela uma pessoa feliz e preenchida. Sei que posso dar amor, muito amor, carinho, atenção. E muito mimo do bom, aquele mimo que não estraga.

É por tudo isto e mais ainda que gosto de fazer anos. Ficar mais velha significa ficar mais sábia, mais corajosa e ir um bocadinho mais longe. Também significa fazer por ser mais feliz. E isso ninguém me pode tirar.

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Desabafos, Sobre mim

#27

Sou uma pessoa que precisa de fazer fotossíntese. Preciso de sol, mar, muito sol, praia, água…já disse que preciso de sol? 😂

Infelizmente, agora moro num sítio onde a praia mais perto fica a 1h de carro – num dia bom. Já não corro no calçadão da “minha” antiga praia com os fones nos ouvidos a ouvir a minha música. Já não me sento na esplanada a ler um livro e a sentir aquele sol maravilhoso a bater nas costas e nos ombros. Já não vou à praia sozinha passar uma manhã a trabalhar o bronze. Já não combino encontros na praia com os amigos – que só terminavam já perto da hora do jantar.

A falta que isto me faz! 

(Ultimamente ando com muitas saudades de Lisboa, das pessoas, do barulho, das coisas perto de mim, daquilo que faz parte da minha essência. São fases, acredito que é a ansiedade de ir agora na Páscoa e ter tudo isto de volta, ainda que por uns dias apenas.)

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Desabafos, Sobre mim

#26

Eu e o homem, no meio das nossas diferenças de educação e de pensar, sempre nos conseguimos entender. É um trabalho de equipa, contínuo e permanente, mesmo que nem sempre estejamos de acordo. Uma dessas diferenças prende-se com o facto de eu andar à procura de um trabalho diferente daquele onde estou.

A verdade é que não estou satisfeita: não gosto do ambiente de trabalho, não me identifico com a forma de ser daquelas pessoas, não suporto duas colegas que lá estão… São motivos mais que suficientes para querer mudar, sobretudo porque aquilo que faço é muito desgastante fisicamente e nem é a minha área profissional. 

Mas o homem foi educado para trabalhar e pronto, tal como todas as pessoas com quem me cruzo nesta terra. Podem não gostar do trabalho ou dos patrões ou dos colegas, mas se o patrão paga a horas e se têm trabalho…então isso é suficiente e chega-lhes. Não há ambições, não há vontade de ser melhor, não há a felicidade.

Para mim, estar de bem com a vida também implica gostar do que faço profissionalmente. Até posso ganhar pouco, mas saber que gosto do ambiente de trabalho e saber que aquilo que faço me deixa realizada é meio caminho andado para querer dar mais de mim, evoluir e ser ainda melhor. Mas às vezes ele consegue ser um desmancha-prazeres, quando diz que é preciso pensar bem nas mudanças que fazemos e nos passos que damos. Quase como que a dizer para ficar onde estou só porque chego ao fim do mês e tenho um ordenado.

Onde está a realização pessoal? Onde estão os sonhos e projetos de vida? Caramba, que a mim ninguém me impeça nunca de tentar, de desejar, de querer fazer acontecer. E embora eu saiba que ele não faz por mal e que só quer que ambos trabalhemos para termos as nossas coisas em comum, não posso deixar de ir em busca daquilo que sei ser o melhor para mim.

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Amizades, Desabafos, Sobre mim

#25

Não é fácil fazer amizades quando somos adultos. Aquelas amizades verdadeiras, simples. Sem interesses, desconfianças, sem o diz que disse. Em crianças e até na adolescência, mesmo com as discussões parvas sobre roupa ou rapazes, ainda perdura uma certa inocência que perdemos com as pedras que a vida nos coloca no caminho.

Desde que saí de Lisboa e vim morar para esta terra – que no fundo é uma aldeia – que descobri o quão mesquinhas e ignorantes as pessoas conseguem ser. Tudo fruto de uma educação antiquada e baseada nas aparências. Estou desejosa de sair daqui e ir viver para uma cidade. Eu e o homem, que apesar de ter nascido e ter sido criado nesta terra, já percebeu que a vida tem mais para lhe oferecer. Por isso faço figas – e poupo dinheiro 😁 – para que no próximo ano já tenhamos a nossa casa, num sítio completamente diferente deste.

No entanto, coisas boas têm surgido e amizades novas e renovadoras têm sido feitas. É muito gratificante sentir que encontrei alguém com quem me identifico, em quem posso confiar e que, aos poucos, se vai tornando uma amiga do coração. São raras, mas existem.

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