Amizades, Desabafos, Família, Vida a dois

#34

Não sinto qualquer obrigação de me dar com a família do homem. Quando tomei a decisão de me mudar para a terra dele foi, precisamente, para partilhar a minha vida com ele, para que juntos tivéssemos a nossa própria família. Claro que quando vejo alguém da família dele, cumprimento e sou educada. Claro que há familiares dele com quem tenho mais afinidade. Mas daí a ter de estar presente em todos os convívios que se lembram de organizar, vai um grande passo. Daí a ter de ir no dia a dia a casa da mãe dele, vai um grande passo. Daí a ter de gostar que ela lhe ligue todos os dias ou que ele ande lá sempre…vai um passo gigantesco! 

Há muitas coisas que não gosto: os mexericos, o diz que disse, a mãe que lhe dá mimo a mais ou lhe liga só porque sim, as falsidades, o falar mal pelas costas, o vivermos a menos de 5 minutos da mãe e dos irmãos dele… Não, não gosto. E é por estas e outras que estou desejosa para conseguirmos comprar uma casa e sairmos desta zona. Porque se há aspecto da minha vida que valorizo muito é a minha liberdade e a minha independência. 

Se dou valor à família? Claro que dou, daí não querer esperar muito tempo para engravidar depois de estarmos instalados na nossa casa. Porque quero que tenhamos as nossas tradições e os nossos hábitos. Os nossos amigos e os nossos convívios. Mas, para mim, a minha família são as pessoas que eu escolho para fazerem parte dela, são as pessoas que eu quero que frequentem a minha casa e façam parte do meu dia a dia. Também eu tenho uma família grande e não convívio com todos, simplesmente porque há pessoas pelas quais não sinto afinidade. 

Provavelmente quem ler este texto irá achar que estou a ser demasiado bruta para com estas pessoas que nunca me fizeram mal nenhum. A verdade é que, por vezes, também eu me questiono desta minha maneira de ser. Mas depois chego à conclusão que prefiro ter poucas pessoas na minha vida, mas saber que as que tenho são em qualidade suficiente para me sentir preenchida.

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Vida a dois

#32

Ele é muito bom a discutir mas péssimo a fazer as pazes! Sempre que nos aborrecemos com alguma coisa, o homem consegue ficar horas sem falar comigo…horas!! Numa fase inicial da nossa relação, aquilo mexia-me com o sistema nervoso, não conseguia perceber se era um feitio lixado ou excesso de mimo fruto da educação da mãezinha. Hoje percebo que é uma mistura de ambos e quando ele amua eu já não fico com vontade de lhe dar um abanão e mandá-lo fazer-se à vida!

Foram muitas as mudanças que ele precisou fazer para chegarmos ao entendimento que temos actualmente – e eu também, confesso. Antes, ficava impaciente com o silêncio dele, procurava à força que ele falasse para resolvermos os nossos conflitos. Era sempre eu que me chegava à frente e ele sabia disso. Com o tempo – e depois de longas conversas – aprendi a ser paciente e a esperar que ele pense nos problemas e, eventualmente, apresente soluções para os resolvermos. É um processo contínuo que vai dando frutos: as horas de silêncio transformaram-se em meia horinha, no máximo 😁😁😁 E eu já consigo relaxar durante esse tempo e aguardar que ele venha ao meu encontro. Ou então simplesmente olhamos um para o outro e desatamos a rir, o que ajuda logo a descomprir.

Não temos uma relação perfeita, não vamos para o Facebook ou para o Instagram fazer longas e exageradas declarações de amor – coisa que me enjoa um bocadinho e me soa a alguma falsidade para inglês ver por parte dessas pessoas. Mas no meio das nossas imperfeições, somos felizes e apaixonados um pelo outro. E isso é muito.

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Desabafos, Vida a dois

#13

Já aqui escrevi que moramos numa moradia em que na parte de baixo, numa casa independente, mora a sogra de um dos irmãos do meu homem. E é precisamente por ser quem é que eu tenho que aguentar muitas situações sem chamar a mulher à atenção. 

Não entendo onde está a justiça nisto e não entendo como é que ele fica calado. Parece que tem medo que depois o irmão se aborreça com ele, quando somos nós que estamos a levar com coisas que não são normais numa senhoria. Uma pessoa normal já teria falado com a mulher ou até com o próprio irmão. Mas não, ele diz-me que estamos quase a sair daqui e que, por isso, não vale a pena nos chatearmos agora.

Eu não fui educada assim, não suporto falsidade e injustiças. Não se mete na vida alheia nem se mexe no que não é nosso. Para mim isto são regras de vida simples. Na minha família podemos discutir uns com os outros, mas não somos hipócritas nem todos sorrisos só para parecer bem. As coisas são ditas pela frente e ninguém tem medo de falar.

Aqui, não sei se é desta terra, todos cuscam meio mundo, todos falam mal pelas costas, todos fingem ser coisas que não são. Se vivem bem assim é com eles, mas não posso permitir que se metam na minha vida. Infelizmente, por causa dele, tenho que aguentar estas situações calada e ir aos convívios de família onde todos são muito amigos – amigos da onça!

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Desabafos, Vida a dois

#7

Esta semana temos tomado algumas decisões importantes. Nada acontece por acaso e os acontecimentos proporcionam-se para que seja necessário agir, tomar atitudes. A inércia sempre foi algo que me enervou e ele tem tendência para deixar as coisas andarem. Depois isso faz com que nos aborreçamos sem necessidade – na minha opinião. Porque eu sou uma pessoa que gosta de resolver os problemas na hora e ele prefere evitá-los.

Nada se resolve sozinho e o tempo nem sempre faz com que as coisas aconteçam. É preciso sermos nós a fazermos a nossa parte mas, sobretudo, é preciso estarmos atentos às pessoas que nos rodeiam, sermos uma equipa e só partilharmos os acontecimentos quando necessário. Ninguém tem de saber tudo da nossa vida, ainda mais num meio pequeno como aquele onde moramos.

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Vida a dois

#4

Não é o dinheiro que define uma relação, mas a verdade é que tem muita influência na mesma. Quando me mudei para aqui não foi fácil arranjar logo trabalho. Durante uns três meses foi ele a suportar as despesas quase todas: casa e alimentação. Eu tinha o meu mealheiro e conseguia oferecer algumas refeições fora de casa, idas ao cinema e pagava o combustível do meu carro. E ainda o tive de levar ao mecânico durante esse período, não foi barato!

Nas minhas expectativas pensava arranjar trabalho logo no meu primeiro mês aqui. Já vinha com entrevistas marcadas e numa fase inicial foram muitas as entrevistas de trabalho. Mas nem todas compensavam: umas porque eram demasiado longe e tinha de pagar portagens, outras porque tinha de trabalhar demasiadas horas e receber demasiado pouco, outras porque eram longe e apenas em part-time… Apesar de ser licenciada em Letras e devido a uma fase de estagnação de trabalho na profissão que tinha, há dois anos decidi tirar o curso de Estética e Cosmetologia e era nessa área que trabalhava. Mas aqui no norte, sobretudo em meios pequenos, é algo que já está muito batido em termos de esteticistas. E a verdade é que em Lisboa há mais afluência de clientes e ganha-se bastante melhor.

Mas consegui, finalmente, ter trabalho. Com contrato e algumas regalias. Uma delas é trabalhar a cinco minutos de casa. Não é em nenhuma das áreas nas quais estudei, mas não faz mal. Faz parte da nossa aprendizagem de vida a capacidade de nos adaptarmos às mudanças. Estar sempre à procura do sucesso e daquilo que nos preenche, mas sem esquecermos de que ter sucesso também é ter uma mente aberta a novas perspectivas de crescimento, seja pessoal, seja profissional. É isso que nos fortalece perante os obstáculos e não nos deixa perder a capacidade de acreditar. ✡

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