Desabafos

#33

É inevitável não ficar indiferente à tragédia que se está a dar em Pedrógão Grande e localidades ao redor. É muita tristeza a morte destas 61 pessoas – um número que pode subir a qualquer momento. A quantidade de feridos, as quatro frentes ainda activas, os 700 bombeiros portugueses a combater estes fogos, a exaustão, o cansaço psicológico, a dor de quem perde familiares, casas e bens pessoais. É uma angústia pensar que ainda há aldeias onde os meios de ajuda não conseguem chegar, que as comunicações estão cortadas porque os postes de electricidade arderam todos, que aquelas pessoas – civis e bombeiros – pedem água, leite, fruta, barras energéticas… Arrepia-me imaginar a quantidade de pessoas mortas carbonizadas nos automóveis, as 4 crianças que já estão confirmadas que morreram, aqueles pais que casaram, foram em lua de mel e deixaram o filho com familiares – o desespero de arranjarem um voo de regresso para irem buscar o seu menino à morgue. Aquele militar da GNR que não conteve as lágrimas enquanto aguarda pelos colegas – e tem na frente dele um corpo no alcatrão que o fogo conseguiu levar a vida. O homem que perdeu 11 pessoas da sua aldeia – um terço desta terra ficou mais pobre.

Não dá para dormir, comer, passear, pensar no amanhã. Hoje e enquanto a minha memória perdurar, hoje e enquanto esta situação durar, os meus pensamentos e o meu coração não estão aqui, mas lá, com eles.

Anúncios
Padrão
Vida a dois

#32

Ele é muito bom a discutir mas péssimo a fazer as pazes! Sempre que nos aborrecemos com alguma coisa, o homem consegue ficar horas sem falar comigo…horas!! Numa fase inicial da nossa relação, aquilo mexia-me com o sistema nervoso, não conseguia perceber se era um feitio lixado ou excesso de mimo fruto da educação da mãezinha. Hoje percebo que é uma mistura de ambos e quando ele amua eu já não fico com vontade de lhe dar um abanão e mandá-lo fazer-se à vida!

Foram muitas as mudanças que ele precisou fazer para chegarmos ao entendimento que temos actualmente – e eu também, confesso. Antes, ficava impaciente com o silêncio dele, procurava à força que ele falasse para resolvermos os nossos conflitos. Era sempre eu que me chegava à frente e ele sabia disso. Com o tempo – e depois de longas conversas – aprendi a ser paciente e a esperar que ele pense nos problemas e, eventualmente, apresente soluções para os resolvermos. É um processo contínuo que vai dando frutos: as horas de silêncio transformaram-se em meia horinha, no máximo 😁😁😁 E eu já consigo relaxar durante esse tempo e aguardar que ele venha ao meu encontro. Ou então simplesmente olhamos um para o outro e desatamos a rir, o que ajuda logo a descomprir.

Não temos uma relação perfeita, não vamos para o Facebook ou para o Instagram fazer longas e exageradas declarações de amor – coisa que me enjoa um bocadinho e me soa a alguma falsidade para inglês ver por parte dessas pessoas. Mas no meio das nossas imperfeições, somos felizes e apaixonados um pelo outro. E isso é muito.

Padrão
Desabafos, Sobre mim

#31

Ontem festejei os 34 e isso fez-me chegar à noite em modo de reflexão. Foi um dia feliz, a passear com o meu homem e com um casal amigo. Visitei lugares que não conhecia, actualizei a minha cultura geral e voltei a andar de elétrico – desde criança que não o fazia. Ofereci-me uma pulseira com uma mandala, estreei roupa nova e tive direito a um bolinho de aniversário. Foram poucas, mas as minhas pessoas deram-me os parabéns e isso chega. Recebi alguns presentes e, este ano, gostei de todos. Senti a falta de algumas pessoas – filha da puta da distância – mas tentei que isso não afectasse o meu dia. Tomei algumas decisões e ainda estou a tentar aceitar que há coisas que, simplesmente, não posso mudar. Tenho que me adaptar. Foi um dia feliz e para o ano há mais – porque eu ainda tenho muito para viver e fazer por mim.

Padrão
Amizades, Sobre mim

#30

Ontem fiz uma limpeza no meu Facebook e, pelo menos, umas 50 pessoas foram à vida. Umas porque são pessoas que só conheço de vista, outras porque não vejo há anos e sei que não voltarei a ver, outras porque eram amigos de amigos e ainda há aquelas com quem já não me identificava minimamente e não fazia sentido tê-las ali.

Quantos mais degraus subo na minha Caminhada, mais entendo que para ser feliz e realizada só necessito dos bons do meu lado. Daquelas pessoas em quem confio, com quem partilho e sou sempre eu mesma. Não preciso que sejam muitos – até porque nunca gostei de multidões – mas sempre que sou eu por inteiro, sei que essa pessoa pode permanecer na minha vida.

Padrão
Sobre mim

#29

Dia 13 de Maio faço anos. 34 e estão quase a chegar. Sempre gostei de fazer anos, sempre gostei de celebrar mais um ano de vida e desejo, sinceramente, que isso nunca mude. Não me assusta ficar mais velha, muito pelo contrário, significa que estou um passo mais perto de alcançar os meus objectivos de vida.

Recordo-me que em criança queria ser adulta, queria a liberdade de poder ser eu mesma, de ir onde tivesse vontade, de poder fazer as minhas próprias escolhas. Fui educada com demasiadas regras por parte do meu pai. Ele achava que isso era impôr o respeito, mas só me fazia ter medo dele e das reacções dele. Não foi um bom pai, eu dizia que ele era mau, crescia a querer sair da beira dele, a querer ser adulta para lhe dizer tudo o que pensava dele e mostrar-lhe que já não tinha mais medo.

Quando os meus pais se divorciaram, tinha eu 20 anos, foi um alívio. E eu deixei de ter medo e deixei de me preocupar. Ganhei a minha voz. E continuei a crescer, mas agora mais forte e decidida, focada nos meus projectos e sem perder a capacidade de sonhar.

Durante muitos anos sempre disse que não queria ter filhos porque não queria que passassem pelo que eu passei. Não queria que tivessem as minhas inseguranças, as minhas dores. Mas hoje sei que posso perfeitamente educar uma criança e fazer dela uma pessoa feliz e preenchida. Sei que posso dar amor, muito amor, carinho, atenção. E muito mimo do bom, aquele mimo que não estraga.

É por tudo isto e mais ainda que gosto de fazer anos. Ficar mais velha significa ficar mais sábia, mais corajosa e ir um bocadinho mais longe. Também significa fazer por ser mais feliz. E isso ninguém me pode tirar.

Padrão
Desabafos

#28

Não tenho escrito muito no blogue, o que significa que ando mais ocupada. Se, por um lado é bom, já que sempre detestei a inércia, por outro lado é um sinal de que ando a reflectir pouco na minha vida. Mas a verdade é que também eu preciso desta preguiça mental, desta liberdade de não pensar demasiado nas coisas e de deixar fluir um bocadinho. À conta disso, tento ser mais paciente – o que é meu acabará por chegar e o que desejo acabará por acontecer.

Padrão