Opiniões

#37

Nada tenho contra as redes sociais, muito pelo contrário. Aproximam-nos, permitem-nos até conhecer pessoas novas. Mantêm-nos actualizados do que se passa no resto do mundo e, se usadas de forma correcta, podem ser fonte de conhecimento e aprendizagem.

Mas uma das coisas que mais crítico nas pessoas que usam redes sociais como o Facebook e o Instagram é a forma despreendida e banal com que fazem longas declarações de amor à cara metade. Longos e ridículos textos de agradecimento a cada aniversário, até de casamento ou dos filhos. Textos porque o final do ano lectivo terminou – quando a criança só tem pouco mais de um ano de idade. Textos porque o final do ano lectivo terminou – que se repetem ano após ano, sejam alunos ou professores. Ou porque se mudou de casa. Ou porque se está grávida – e aqui são palavras de fazer chorar as pedras da calçada, acompanhadas por actualizações mensais.

Enfim, seja o que for é motivo para encontrarmos autênticos Fernandos Pessoas por esse Facebook/Instagram afora. E eu confesso que não posso compreender esta necessidade de algo que, para mim, parece uma chamada de atenção. Esta busca por likes, pelos comentários acompanhados de corações infinitos, este show off ridículo de não se preservar projectos de vida. Pergunto-me para onde vão estas histórias de vida, questiono se na intimidade também há todo este sentimentalismo exagerado, se as palavras são ditas e sentidas, se há os abraços, os beijos e o carinho.

Já não se fazem relações como antigamente, já não se vive para ser feliz, mas mais para parecer. Já não existem as frases ditas e sentidas, as mensagens de amor que nem às paredes confessamos e os olhos já não são o espelho da alma. A vida tornou-se um espectáculo onde vamos ao cinema sem pagarmos bilhete.

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